Histórico da Oficina Literária Letras no Jardim

A Oficina Literária surgiu em maio de 2008 nos jardins de uma casa. Eram quatro escritores que discutiam seus escritos. O grupo foi crescendo e passamos a ocupar o auditório da Biblioteca Pública de Santa Catarina. Começamos a estudar os diferentes gêneros literários. Poesia, conto, crônica, romance, dramaturgia. Durante a oficina de dramaturgia surgiu o grupo de teatro da Cia.de Teatro Letras no Jardim que tem apresentado várias peças e o grupo do cinema que já produziu dois curtas metragens e um documentário. Estes mais experimentais. Com o passar do tempo começamos a contar histórias nas escolas da cidade e em outras regiões de Santa Catarina.

domingo, 16 de agosto de 2009

Radionovela

É uma narrativa folhetinesca sonora, nascida da dramatização do gênero literário novela, produzida e divulgada em rádio.
Fez enorme sucesso no início do século XX, numa era pré-televisiva. Boas histórias, bons atores e efeitos sonoros realistas eram o segredo do gênero para captar a atenção dos ouvintes. Diz-se que os grandes mestres da magia eram os sonoplastas, que para estimular a imaginação das pessoas, reproduziam todo tipo de sons e ruídos: o som da chuva, do telefone, da passagem de tempo, dos passos dos personagens.


O radioteatro já havia começado a conquistar espaço no cenário brasileiro desde a década de 30. Mas foi com “Em busca da felicidade” que as produções deslancharam. A novela teve 284 capítulos, com o texto original do cubano Leandro Blanco, que foi traduzido e adaptado por Gilberto Martins. A idéia foi da empresa de propaganda Standard, responsável pela conta publicitária de Colgate-Palmolive.
No mesmo ano que estreou “Em busca de felicidade”, começou a ser transmitida a primeira radionovela criada no Brasil. “Fatalidade”, de Oduvaldo Viana, foi ao ar pela Rádio São Paulo.
Na época das radionovelas, a sociedade ainda era extremamente machista, então elas se voltaram para o público feminino, que em sua maior parte não trabalhava fora, sendo assim ouviam a programação que era praticamente exclusiva para elas.
Muitas outras radionovelas com roteiros românticos e conservadores fizeram sucesso, mas a de maior sucesso foi “O Direito de Nascer”, assim como “Em busca de felicidade”, também foi transmitida pela Rádio Nacional. “O direito de nascer” modificou hábitos dos cariocas, parou a cidade no horário em que era transmitida, e no dia seguinte o comentário geral era sobre o capítulo anterior da novela.
A imprensa brasileira não podia ficar de fora do fenômeno que se espalhava pelo país, através das radionovelas, então surgiram as revistas especializadas, onde os ouvintes podiam encontra fotos e legendas dos atores e atrizes, e também podiam acompanhar o resumo dos capítulos.
O espetáculo das radionovelas movimentava muito dinheiro, os atores eram super disputados entre as Rádios mais famosas da época, a Rádio Nacional era a que possuía a maior constelação de artistas.
Não podemos deixar de citar a sonoplastia, que apesar de não ser muito lembrada pela história das radionovelas, foi imprescindível, pois sem ela como os ouvintes iam imaginar tão perfeitamente a cena que estava sendo dramatizada pelos artistas. Hoje em dia temos no computador quase todos os sons possíveis e imagináveis, mas naquela época tudo era manual, como o barulho das patas dos cavalos que era obtido através de cascas cocos secos.
Devido ao estrondoso sucesso das radionovelas, que ao surgir a televisão passaram a ter imagens, as novelas da televisão brasileira fazem tanto sucesso hoje em dia.

Fonte: Géneros Literários

sábado, 8 de agosto de 2009

A PALAVRA "NOVELA"

A palavra "novela" remonta ao italiano" novella", por sua vez originário da Provença ("novas", "novelas"), onde significava "relato, comunicação, notícia, novidade". 1 A raiz etimológica estaria no latim "novella", de "novellus, a, um", adjetivo diminutivo derivado de "novus, a, um". Do sentido primordial de "jovem", "novo", "recente", o vocábulo substantivou-se, adquirindo vária significação, desde" chiste", "gracejo" até "enredo", "narrativa enovelada".
Com tal significado passou a outras línguas. Em vernáculo, o termo circula na acepção de "engano", "embuste", "mentira", mas designa de modo geral uma história fictícia, longa, jorrando emoções fáceis, transmitida pela rádio e pela televisão. No terreno dos estudos literários, é empregado por vezes de modo defeituoso: rotularia, ao ver de alguns críticos, as narrativas com mais de cem e menos de duzentas páginas.
O vocábulo teria entrado para o circuito do Idioma graças ao italiano "novelle", que ainda podia revestir o sentido de "conto", fôrma que lhe era aparentada, nos confusos tempos do crepúsculo da Idade Média. Assumiu posteriormente o sentido pejorativo de "nanativa fabulosa, fantástica, inverossímil".


Novela

Novela em português é uma narração em prosa de menor extensão do que o romance. Em comparação ao romance, pode-se dizer que a novela apresenta uma maior economia de recursos narrativos; em comparação ao conto, um maior desenvolvimento de enredo e personagens. A novela seria, então uma forma intermediária entre o conto e o romance, caracterizada, em geral, por uma narrativa de extensão média na qual toda a ação acompanha a trajetória de um único personagem (o romance, em geral, apresenta diversas tramas e linhas narrativas).
Etimologicamente, folhetins televisivos de longa duração deveriam ser chamados em português de telerromances, mas o termo de origem espanhola já está consagrado: telenovelas.

domingo, 2 de agosto de 2009

Romance

Herdeiro direto da estrutura narrativa da epopéia clássica, o romance emerge – como o concebemos hoje – entre meados do século XVI e início do século XVII, especialmente na Espanha, expandindo-se em seguida pela Inglaterra, França e Alemanha. Já no século XVIII, o romance havia se transformado na mais popular de todas as formas literárias.
Em relação à epopéia, o romance traz importantes novidades:
- A metrificação (verso) é abandonada e a prosa de tom relativamente coloquial torna-se uma característica da linguagem narrativa.
- Por se estruturar a partir da dissolução da epopéia clássica e do declínio das novelas pastoris, galantes e de cavalaria da Idade Média, o romance emerge sem regras fixas ou modelos a serem obedecidos. Por isso, por não ter uma passado a guardar, ele se tornou a mais aberta de todas as formas literárias.
- Os personagens centrais – os heróis – deixam de ser o aristocrata guerreiro ou o grande homem de aventuras e conquistas, com os seus rígido códigos de honra e seus valores típicos da nobreza. Ao contrário, o que temos agora são homens comuns, normalmente de origem burguesa ou plebéia, e que vivem dramas corriqueiros. Suas ações já não lhes proporcionam fama e poder, mas giram em torno de fatos relativamente insignificantes: complicações sentimentais, sociais e financeiras, comuns a maioria das pessoas.
Os romances representam – já no século XVIII e XIX, mas particularmente no século XX – um verdadeiro mergulho no cotidiano, como podemos constatar em Moll Flandres, de Defoe, em Germinal, de Zola, ou em Os ratos, de Dyonélio Machado. Nesta última obra, aliás, toda a trama é concentrada na questão do pagamento de uma conta de leite, que o protagonista precisa saldar em vinte e quatro horas.
- Os personagens do romance já não são personalidades inteiriças e perfeitas. Agora a interioridade se dissocia da aventura e a alma fica fraturada entre os desejos íntimos e a realidade quase sempre hostil. Por viverem tal dualidade, os protagonistas apresentam uma complexidade maior. Portanto, a sondagem interior, mais tarde conhecida como análise psicológica, nasce com o romance.
- Os conflitos que embasam a epopéia clássica colocam em oposição apenas os personagens e a realidade exterior. No romance, ao inverso, ocorrem também dentro dos próprios protagonistas. É o chamado conflito interior. Isso não impede o choque dos indivíduos com o mundo, expressos sobretudo na lua dos mesmos contra as normas e os preconceitos sociais.
- Este último confronto torna-se clássico no romance: um indivíduo com valores autênticos tenta impô-los à realidade. Sede de amor, de justiça e de dignidade humana impelem-no ao desejo de mudança de um mundo, geralmente insensível e injusto. No entanto, o resultado desse esforço é, no mais das vezes, o fracasso. Desamparado, o personagem ou adere à ordem opressiva ou sucumbe à desilusão, à loucura e até à morte. Por isso, inúmeros romances se apresentam como um verdadeiro inventário de ilusões perdidas.
- Contudo, em muitas obras do gênero, há um triunfo do herói comum, seja pela realização de seus afetos ou de seus ideais, seja pela satisfação de suas exigências de escalada social, às vezes alcançada graças à sua esperteza e à sua flexibilidade ética.

- Estas diferenças entre a epopéia e seu mais ilustre descendente levaram o filósofo alemão Hegel, nos primórdios do século XIX, a cunhar a célebre afirmação: “O romance é a epopéia de um mundo sem deuses”, ou seja, o romance é a epopéia do cotidiano.
A busca da verossimilhança
Desde o seu início, o romance apresenta, em maior ou menor escala, uma forte índole realista pois os escritores buscaram elaborar uma síntese entre os dois elementos fundamentais do gênero:
- Personagens fictícios que vivem acontecimentos imaginários.
- O contexto histórico e as circunstâncias reais (costumes, espaço físico-geográfico, vida cotidiana, etc.) em que esses personagens se movimentam.
Dar ao leitor a impressão de que o enredo é um reflexo da realidade, fornecendo-lhe uma sólida e consistente descrição de múltiplos aspectos da existência humana, constitui o objetivo da expressiva maioria dos romancistas. No prólogo do ciclo de relatos que constituem A comédia humana (1830-1850), Balzac define sua tarefa como uma espécie de historiador do cotidiano:
Ao fazer o inventário de vícios e virtudes, ao reunir os principais feitos das paixões, pintar os caracteres, eleger os principais acontecimentos da sociedade, compor tipos mediante a fusão de vários traços de caráter, quem sabe eu poderia chegar a escrever essa história esquecida pelos historiadores, a história dos costumes.
Este pacto de verossimilhança (semelhança com a verdade) foi rompido apenas durante a era romântica pela emergência do chamado romance gótico, na Inglaterra. O gótico apresenta atmosferas aterradoras e cenas carregadas de mistérios e eventos sobrenaturais que desafiam a racionalidade e a ordem lógica do mundo. É o caso de O castelo de Otranto, de Horace Walpole, que dá início a narrativa de tipo noir, uma espécie de literatura das sombras, onde pesadelos, visões, fatos estranhos e horrores se confundem. Esse tipo de ficção às vezes traduz simbolicamente certas pulsações brutais dos seres humanos e por isso tem grande força dramática. Outras vezes, porém, esta ficção não produz mais do que obras curiosas ou até mesmo completamente tolas.
Modernamente, alguns autores como Kafka, Buzzati e outros, rompem com o triunfo avassalador da narrativa realista, introduzindo em seus relatos elementos simbólicos, místicos e alegóricos. Nestas novelas e romances, a realidade fáctica já não se apresenta de maneira direta, obrigando os leitores a traduzir o universo literário de sugestões para o seu próprio universo concreto.
A partir de 1950 e 1960, na América Latina, surge também uma forma singular de realismo, conhecido como realismo mágico. Em romances como Pedro Páramo (1955) do mexicano Juan Rulfo; Grande sertão: veredas (1956), de João Guimarães Rosa; e Cem anos de solidão (1967) , de Gabriel García Marquez, fatos e situações aparentemente inverossímeis – mortos que falam, visões premonitórias, surgimento do diabo, etc. – nos são apresentados como absolutamente reais e verdadeiros.
Como já foi observado, estas obras refletem a existência de sociedades arcaicas no interior latino-americano, onde a consciência mágica e pré-racional é, ou era, uma realidade, pois tais regiões não foram, ou ainda não tinham sido, atingidas pela modernidade e pela tecnologia.



Referência: Criação Literária – Massaud Moises
Gêneros Literários – O Romance