Histórico da Oficina Literária Letras no Jardim

A Oficina Literária surgiu em maio de 2008 nos jardins de uma casa. Eram quatro escritores que discutiam seus escritos. O grupo foi crescendo e passamos a ocupar o auditório da Biblioteca Pública de Santa Catarina. Começamos a estudar os diferentes gêneros literários. Poesia, conto, crônica, romance, dramaturgia. Durante a oficina de dramaturgia surgiu o grupo de teatro da Cia.de Teatro Letras no Jardim que tem apresentado várias peças e o grupo do cinema que já produziu dois curtas metragens e um documentário. Estes mais experimentais. Com o passar do tempo começamos a contar histórias nas escolas da cidade e em outras regiões de Santa Catarina.

domingo, 19 de outubro de 2008

QUANDO A GENTE SE ESQUECE...- Donato Ramos

Recebo - e com as mãos trêmulas abro o envelope - exemplares de um Jornal da minha terra: assusta-me o nome FOLHA DA ESTÂNCIA e me pergunto se Paraguaçu Paulista, agora, fica no Rio Grande. Explicações, talvez mais tarde, se a troca de correspondência tiver prosseguimento. Olho novamente o cabeçalho, o expediente e confirmo. É mesmo de lá, de Paraguaçu. Expectativa muito grande. Afinal, saí de lá quando tinha 19 e já tenho 72. Vou lendo nomes e mais nomes. Não encontro ninguém. Leio, releio. Nada. Absolutamente nada!
Não é de lá, não pode ser. Última página. Pego o outro exemplar. Nada. O outro e mais um outro. Absolutamente nada.
Oh! Santa ignorância, meu Deus: se o tempo passou e muito, como vou achar os nomes dos meus professores, do dono do bar da esquina, dos meus companheiros da Rádio Clube Marconi, jogadores do time onde joguei, o ABC - Atlético Brasil Clube, dos colegas do Serviço de Alto Falantes Cacique, cujo slogan era “Porta-voz radiofônico da rodoviária”?
Leio atentamente prá ver se encontro José Ferreira Martins, Antoninho Machado, Mário Luz (que sabia como o vidro era feito) e Carlos, seu irmão, que me dizia pra aprender a respirar pelo diafragma pra poder tocar gaita de boca... Tocar eu aprendi, mas respirar pelo diafragma acho que era gozação dele. Não tinha buraco lá! Pelo menos eles, os mais chegados... O Fuminho o grande cantor e amigão, a família Büchler, seu Jovino tocador de sanfona e motorista de praça...?
Esqueci-me que fatos, coisas e pessoas perdem-se pelas esquinas da vida. E, quando você força a recordação dói demais. Mas eu já sabia disso: um dia retornei. Depois de muitos anos. E fui pensando: primeiro vou procurar a Emissora de Rádio, pois lá é o lugar certo para obter informações sobre uma cidade e, afinal, trabalhei ali nos meus 17 anos... Vou chegar e dizer que fui engraxate defronte a estação ferroviária, locutor da Rádio, vendedor de tecidos na Riachuelo que ficava defronte a Pernambucanas, auxiliar de alfaiate, professor de datilografia e que, agora, sou escritor, jornalista profissional, presidente de Instituto. Só isso basta. Vão querer um livro meu e um disco dos seis que gravei prá tocar na Rádio. Talvez, até me entrevistem!.
Receberam-me como as pessoas educadas recebem as pessoas.
- O senhor deseja...?
- Falar com...
Não sabia com quem. Ah! Com o diretor.
- Não está. Alguém mais...?
- Não. Obrigado. Volto outro dia.
Esse outro dia nunca aconteceu e, pelo andar da carruagem, nunca mais.
Afinal, nem pediram meu livro e nem quiseram ouvir as musiquinhas que toco na gaitinha de boca, sem respirar pelo diafragma!

AVALIAÇÃO - Professora Tambi Carraro Ribeiro

Durante nossas vidas somos constantemente avaliados.
Somos avaliados quando estamos estudando, trabalhando, ou até mesmo simplesmente vivendo.
Escutamos no decorrer de nossas vidas muitas críticas e opiniões.
Muitos, pouco nos conhecem, mas já se julgam nossos conhecedores.
Em um mundo competitivo e individualista, é fácil escutar críticas que nos derrubam.
Todos se julgam donos da verdade.
Mas a verdade, se perdeu em um mundo onde tantos contam tantas fofocas e tantas mentiras, por pura maldade.
Nossos sonhos e nossos desejos acabam morando apenas dentro do nosso peito.
No nosso coração guardamos a esperança de não estarmos mais sendo constantemente avaliados ou julgados, e sim incentivados para juntos criarmos um mundo melhor e mais digno.
Como professora, não pretendo julgar para avaliar.
Pretendo que cada aluno encontre por si só o seu real caminho e o seu verdadeiro potencial.
Pretendo plantar sementes para que cada um, com o passar dos anos e o seu próprio amadurecimento possa fazer a colheita do conhecimento que é hoje plantado.
Caros alunos, reguem as sementes espalhadas por cada professor, não desanimem com críticas e avaliações injustas e maldosas, e sigam sempre na busca de algo mais e de um caminho que os faça muito feliz!

sábado, 18 de outubro de 2008

Escritores Malditos

Há um tempo atrás, na Oficina Literária, estudamos os escritores malditos. Quem são eles? são escritores que elaboram textos que causam repulsa, aversão e repugnância. Muitos deles famosos como sendo os europeus, Lord Byron, Alfred de Musset, Percy Shelley, Wolfgang Goethe, na américa Álvares de Azevedo e Edgard Allan Poe. De Álvares de Azevedo é famoso o texto sombrio e tétrico "Noite na Taverna" e de Allan Poe "O Gato Preto" de extremo requinte de crueldade.

Baseada nesses textos elaborei um que espero cause a repulsa desejada.

A Ferida Aberta - Mini conto

A ferida custava a cicatrizar
foram feitos todo tipo de curativos e limpeza com chás medicinais.
Porém, o pus continuava a sair e o odor e coloração esverdeada da perna não cessavam.
Parecia ser em vão todo o esforço.
Acorda rapaz! Você está tendo um pesadelo!


Milka Lorena Plaza Carvajal.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O que é mesmo a poesia? - Susana Zilli de Mello

Quando em outras épocas, apenas líamos versos e encantávamos frente aos poemas de autores diversos, sabíamos por sentimento, por um prazer que nos traziam as palavras, pelo “arrepio” que mesmo sem muito entendimento nos transpassava a alma. Sabíamos por nada saber. Intuíamos, formávamos nosso próprio conceito, às vezes inconscientemente. Depois, quando começamos a escrever e a mostrarmos, darmos luz e escancararmos nossos próprios poemas, começaram nossas dúvidas, nossas perguntas e nossas leituras e busca por respostas. Mas “o que é mesmo a poesia”? Temos muito a procurar e a refletir. Nunca daremos as costas à tenacidade da leitura e do estudo. Porém, preferimos pensar a poesia como uma pequena cascata, limpa, cristalina. Onde estará a poesia nesse nicho da natureza? Estará entre as pedras? No perfume do verde que circunda o riacho? No trajeto que faz a água com as suas idas e voltas, ou quem sabe no barulho sonante das águas contra os seixos? Uma cascata poderá ser apenas uma cascata, mas o nosso olhar ao seu redor é que fará a diferença.
Portanto, nós concluímos que há caminhos para se fazer, há gostos para se gostar, olhos, mãos, coração para sentir...os poetas comungam palavras, corrompem palavras, enxugam palavras, para melhor coloca-las nos poemas; se conseguem fazer brotar o som das cascatas, a nesga do luar, a curva do rio, terão feito o respirar do poema, dado à luz para a mais pura poesia. Será de fato obra da mais simples, porém, creiam, foi necessário muito fogo, ação, dor e, sobretudo, um olhar amoroso dotado de uma certa loucura; uma certa falta de sentido com muito sentimento; um alumbramento em cima de velhos guarda-roupas; sobre novos viadutos, pelas crianças ensolaradas e nas que estão nas sombras.
É preciso, para saber o que é poesia, pular muros, desligar madrugadas e, às 10 horas da manhã, não dizer nada ao sol, enfileirar as contas do dia no fio invisível da ternura. Poesia é isso: - estalos do papel frente a nossa caneta, lúdicos, contraditórios artistas de um circo imaginário. Acrescente depois um leitor sensível, um leitor distraído, um leitor esquecido que deixa o poema e se vai, contaminado de poesia, perguntando (ainda): O que é mesmo a poesia?


Fonte: Jornal Literário Letras Santiaguenses
Autora: Haydée S. Hostin Lima

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Sutil I - Dos começos e das cores - Vanessa Corazza

Sou como lápis que risca em cores ordenadas por outrem.
Quero pertencer ao meu proprio movimento,
e expressar,
meu inverno.

Assim encontro comigo,
nas proprias cores do meu fazer-se ser.
E na dança dos desenhos,
Recrio-me.

Transformo-me em luz, sol e borboleta,
Transporto-me para todos os tempos,
Revivo almas plastificadas...

E quando menos percebo,
canto as canções de minha alma
e acendo eras em flor.