Histórico da Oficina Literária Letras no Jardim

A Oficina Literária surgiu em maio de 2008 nos jardins de uma casa. Eram quatro escritores que discutiam seus escritos. O grupo foi crescendo e passamos a ocupar o auditório da Biblioteca Pública de Santa Catarina. Começamos a estudar os diferentes gêneros literários. Poesia, conto, crônica, romance, dramaturgia. Durante a oficina de dramaturgia surgiu o grupo de teatro da Cia.de Teatro Letras no Jardim que tem apresentado várias peças e o grupo do cinema que já produziu dois curtas metragens e um documentário. Estes mais experimentais. Com o passar do tempo começamos a contar histórias nas escolas da cidade e em outras regiões de Santa Catarina.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Profilaxia do Amor - autora: Bety Ossig

Quando contigo
vivo cada instante
como se fosse o único
como se fosse o último
quando tu distante
amado
sofro tua ausência
no segundo a seguir
que nos deixamos
e é, nesse momento imediato
da tua partida
Que se refaz esse desejo
de novos instantes juntos
em doses duplas
diárias e sistemáticas
e novamente estamos juntos
e é então que te peço que antes de partir
antes que amanheça
e a luz do dia nos traga a realidade
me avies a receita
do tratamento a ser seguido
assim sem que percamos
solução de continuidade
me tomes por inteira
me aplicando
uma overdose de amor.

Um comentário:

juliao disse...

Hoje visitei o Jardim, num domingo ensolarado.Deixo a contibuição de um Contador de História

Homens e mulheres de segunda milha

Foi no ano de 63 A C. que Pompeu - famoso general romano autor da frase: "navegar é preciso, viver não é preciso"-, no final de sua campanha no Oriente, implantou as insígnias romanas sobre Jerusalém. O povo judeu começou a experimentar o rigor do jugo que Roma lhe impusera . Entre as medidas vexatórias introduzidas pelo dominador romano, contava-se aquela que conferia a um legendário de César em viagem pela Palestina, o direito de recrutar um judeu qualquer para carregar-lhe a bagagens até o limite de uma milha.
Pode-se imaginar a humilhação de um israelita ao ver-se compelido a palmilhar ao lado do invasor, carregando a bagagem de um gentio arrogante, um trecho de estrada poeirenta de sua terra natal, sob os raios dardejantes de um sol asiático.
Anos depois, perante um auditório de israelitas ciosos de suas prerrogativas como filhos de Abraão, herdeiros legítimos do solo de Canaã, capazes de submergir suas divisões tradicionais no ódio comum ao dominador, é que Jesus pronunciou as palavras do Sermão da Montanha cujo significado repercute até nossos dias:

“ E se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas” (Mateus 5: 41)

Que solução divinamente simples para o intrincado problema das relações entre duas raças visceralmente hostis! Fazendo sempre mais que a sua obrigação legal de andar uma milha, o judeu conservaria sua dignidade andando uma milha a mais por vontade própria, resgatando assim, a sua capacidade de decidir.
A primeira milha está no plano do dever, a segunda no plano do amor. O dever é majestoso; o amor é divino. O dever obriga; constrange o amor. O dever enaltece; o amor sublima.
Caminhar a segunda milha é alcançar um novo patamar de liberdade.

É importante refletir sobre essa passagem, buscando uma aplicação diária. Será que estamos caminhando a segunda milha no amor,no trabalho, na família e na comunidade?
É para pensar...
Julião Goulart